Pêssegos Aboborados em Vinho

📖”- Um presente.
- Um presente... De quem?
- Da Feitosa, das senhoras.
- Bravo!
- E com uma carta que vem pregada na toalha.
Com curiosidade Gonçalo despedaçou o sobrescrito! Mas, apesar de lacrado com um pomposo selo de armas, apenas continha linhas a lápis num bilhete-de-visita da prima Maria Mendonça: “Ontem ao jantar, contei quanto o primo Gonçalo gosta de pêssegos, sobretudo aboborados em vinho, e a Anica toma por isso a liberdade de lhe mandar esse cestinho de pêssegos da Feitosa, que como se sabe são falados em todo o Portugal... Mil saudades.” Gonçalo imaginou logo no fundo da cesta, debaixo dos pêssegos, docemente escondida, uma cartinha da D. Ana!
- Bem! São pêssegos... Deixa aí sobre uma cadeira...
- Era melhor que os levasse já para a copa, senhor doutor, para os arrumar na prateleira...
- Deixa sobre a cadeira!
Apenas Bento cerrara a porta, estendeu no chão a toalha, entornou cuidadosamente por cima os pêssegos formosos, que perfumavam a livraria. No fundo da cesta encontrou apenas folhas de parra. Levemente desconsolado, cheirou um pêssego. Depois considerou que os pêssegos, arranjados por ela, com parra que ela apanhara na latada, sob toalha que ela escolhera no armário, formavam na sua nudez cheirosa um recadinho sentimental. Ainda agachado na esteira, comeu o pêssego: e recolocou os outros na cesta para os levar a Gracinha.” Da obra “A Ilustre Casa de Ramires” de Eça de Queiróz.
Pêssegos Aboborados em Vinho
📖”- Um presente.
- Um presente... De quem?
- Da Feitosa, das senhoras.
- Bravo!
- E com uma carta que vem pregada na toalha.
Com curiosidade Gonçalo despedaçou o sobrescrito! Mas, apesar de lacrado com um pomposo selo de armas, apenas continha linhas a lápis num bilhete-de-visita da prima Maria Mendonça: “Ontem ao jantar, contei quanto o primo Gonçalo gosta de pêssegos, sobretudo aboborados em vinho, e a Anica toma por isso a liberdade de lhe mandar esse cestinho de pêssegos da Feitosa, que como se sabe são falados em todo o Portugal... Mil saudades.” Gonçalo imaginou logo no fundo da cesta, debaixo dos pêssegos, docemente escondida, uma cartinha da D. Ana!
- Bem! São pêssegos... Deixa aí sobre uma cadeira...
- Era melhor que os levasse já para a copa, senhor doutor, para os arrumar na prateleira...
- Deixa sobre a cadeira!
Apenas Bento cerrara a porta, estendeu no chão a toalha, entornou cuidadosamente por cima os pêssegos formosos, que perfumavam a livraria. No fundo da cesta encontrou apenas folhas de parra. Levemente desconsolado, cheirou um pêssego. Depois considerou que os pêssegos, arranjados por ela, com parra que ela apanhara na latada, sob toalha que ela escolhera no armário, formavam na sua nudez cheirosa um recadinho sentimental. Ainda agachado na esteira, comeu o pêssego: e recolocou os outros na cesta para os levar a Gracinha.” Da obra “A Ilustre Casa de Ramires” de Eça de Queiróz.
Instruções para cozinhares
- 1
Descascam-se os pêssegos, abrem-se ao meio e retiram-se os caroços aos pêssegos.
- 2
Cortam-se em fatias com cerca de 1 centímetro.
- 3
Colocam-se numa taça, polvilham-se abundantemente com o açúcar e regam-se com o vinho do Porto.
- 4
Deixam-se os pêssegos abeberar neste preparado durante pelo menos 4 a 5 horas no frigorífico.
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